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TEXTOS

Estética y política en el teatro paulista. Años 70-80

Autor: Garcia, Silvana

Año de publicación: 1990

Fecha de incorporación a la web: 21/09/2009

Referencia bibliográfica:

Resumen del trabajo realizado en el libro GARCIA, Silvana. Teatro de militância: a intenção do popular no engajamento político. São Paulo, Ed. Perspectiva, 1990.



Texto:

No final dos anos 60, o Brasil sofreu o período de maior repressão sob o governo da ditadura militar. O teatro, que vivia momentos de grande vigor político, viu-se sistematicamente perseguido, não só pela censura, que mutilava e proibia suas peças (em dez anos, a censura federal interditaria mais de quinhentos filmes, quatrocentas peças de teatro e cerca de duzentos livros), como também pela ação direta da polícia e de grupos paramilitares de direita (como o Comando de Caça aos Comunistas que, covarde e impunemente, espancou o elenco inteiro de Roda Viva, no Teatro Ruth Escobar, a 18 de julho de 1968, após o espetáculo). O teatro de tendência política passou a ser, então, uma atividade de alto risco. Embora resistindo bravamente, o teatro sentiu a força desse freio e perdeu grande parte de seu ímpeto contestador. Foi nesse momento que surgiu, de modo mais ou menos espontâneo, uma corrente de teatro independente que, procurando fugir às condições de censura e repressão e, ao mesmo tempo, opondo-se à inércia do teatro comercial, voltou-se para as populações periféricas da grande São Paulo. Foram dezenas de grupos que se formaram a partir de circunstâncias diversas e nem sempre tiveram claro seus objetivos. Em geral, traziam como bagagem mais a força do idealismo do que propriamente um trabalho estruturado. A grande maioria teve vida efêmera, não resistindo a mais de uma montagem e muitos nasceram e morreram antes mesmo de alcançarem o palco. Apenas alguns poucos lograram superar os obstáculos e chegaram a traçar uma história. Sem constituir propriamente um movimento, esses grupos definiram, de fato, uma tendência, que atravessou toda a década de 1970, caracterizada por uma série de afinidades. Entre os elementos comuns, os que dão melhor contorno a essa corrente do chamado "teatro independente" estariam: 1) a disposição de atuar fora do âmbito do teatro comercial/profissional, optando preferencialmente por espaços não-convencionais nos bairros periféricos; 2) adoção de formas populares de espetáculo; 3) opção por uma carreira itinerante, empenhando-se, num segundo momento, na manutenção de um local-sede no bairro; 4) investimento em modos de criação e produção coletivos; 5) intenção de atuar como núcleo gerador, favorecendo a criação de novos grupos; 6) empenho em estabelecer um vínculo de solidariedade com o espectador e sua realidade, 7) recusa em filiar-se, como coletivo, a qualquer partido ou organização política, 8) intenção de garantir a sobrevivência do grupo sem o auxílio de verbas estatais, como chancela de independência. Também a trajetória percorrida por cada um coincidiu, em seus pontos essenciais, com o percurso realizado pela maioria. As situações de impasse, de conflito, os obstáculos foram similares, variando o momento do processo em que ocorreram e a qualidade da resposta dada. Do mesmo modo, as deficiências foram basicamente as mesmas e o reconhecimento delas surgiu ou foi conseqüência de situações de conflito entre a intenção - militância artística, produtos populares - e a prática. Na evolução dos grupos, os saltos qualitativos quase sempre se deram em função de momentos críticos, em geral cisões provocados por dissidências internas, cujos motivos variavam de discordâncias pessoais a conflitos de ordem político-ideológica. Essas constantes cisões foram em parte responsáveis pelo alto índice de rotatividade no interior dos grupos e, em alguns casos, contribuíram de modo decisivo para a dissolução final do coletivo.

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