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Conversación con Marcela Levi

Autor: Levi, Marcela - Meireles, Flavia - Erber, Laura

Artista: Marcela Levi

Fecha de incorporación a la web: 01/12/2009



Texto:

Uma das linhas de força das performances de Marcela Levi reside no modo como torna presentes e quase tangíveis os interstícios do corpo, esses buracos por onde o sentido escapa ou tende a escapar. Desde o trabalho Imagem (2002) Levi vem elaborando uma linguagem que tumultua a hierarquia entre corpo e objeto, incidindo sobre diversas dicotomias (dentro-fora, corpo-mente, ativo-passivo, afirmação-negação) que balizam nossa percepção. Surge daí um corpo fugidio, arisco, teimoso, mas, ao mesmo tempo, permeável aos objetos com os quais ele lida, um corpo que abandona a posição de totalidade e de completude e que só se manifesta ao se deixar transformar.

LAURA ERBER
O escritor francês Francis Ponge (1899 – 1988) propunha que a escrita, especialmente a do poema, fosse movida pela força de empuxo dos objetos. Ponge acreditava que para retirar-se da ciranda estéril do humanismo era preciso “se deixar puxar pelos objetos”. Para ele, não se tratava mais de organizar as coisas ao nosso redor para atingir uma harmonia, mas de se deixar desarranjar por elas. Você criou a expressão “subjetos” para designar o corpo transitivo que se deixa contaminar, poderia falar sobre ele?

MARCELA LEVI
Sim, é exatamente isso: “... se deixar puxar pelos objetos”. Quando estou trabalhando, penso em me “submeter” aos objetos e não apenas em manipulá-los, como se fossem algo sobre o qual tenho controle. Busco experimentá-los, um pouco como fazem as crianças. Gosto muito de observar as crianças se movendo, elas têm um estado de momento, ou seja, elas acessam um estado de atenção que se assemelha a certa intensidade dos animais. Diferentemente dos adultos, não estão atravessadas pelas noções de futuro ou passado, simplesmente estão lá, inteiramente instaladas no aqui e agora, assim como os animais, e disso surge uma presença completamente fascinante. Acho que as crianças não “fazem coisas”, elas se misturam ao que fazem, elas são o próprio ato. Cada passo é um passo e nada além disso, cada gesto fala do gesto em si. Nunca sei se elas estão jogando com os brinquedos ou se são os brinquedos que estão jogando com elas. É esse tipo de experiência que procuro ativar no meu trabalho com os objetos, uma terceira coisa que não é mais nem o meu corpo nem o objeto em sua autonomia, mas sim um corpo/objeto/sujeito imbricados. Foi dessa prática de trabalho que surgiu a palavra “subjetos”: objetos/sujeitos deslocados e desfuncionalizados.

LAURA ERBER
O seu primeiro solo intitulava-se Imagem, e o seu trabalho, de um modo geral, parece estar cada vez mais situado nessa fronteira tênue que separa (ou liga) a performance e as artes plásticas. Você poderia falar um pouco sobre a ideia de imagem que surge nesse processo?

MARCELA LEVI
Sim, acho que sim. Construí a performance Imagem em colaboração com a fotógrafa carioca Claudia Garcia. Pensar um corpo não capturável, que se expõe em constante reorganização, foi o nosso ponto de partida. Estávamos interessadas em pensar a imagem como algo que não afirma, que não estabiliza. Queríamos falar de uma imagem/corpo vazada e borrada de sensações. Uma imagem precisa, mas de uma precisão cheia de ambiguidades.

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