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Entrevista a Cristiane Zuan Esteves

Author: Cosmo, Matheus

Artist: OPOVOEMPÉ

Date of Web publication: 20/06/2016

Bibliographical references:

Inédita
La entrevista se realizó el 24 de mayo de 2016, en São Paulo.



Text:

Notas

[1] Viewpoints (puntos de vista escénicos) es un entrenamiento basado en improvisaciones de movimiento escénico. Las técnicas preparan el actor a desarrollar su escucha a la escena y su habilidad para responder en el momento a lo que está pasando aquí y ahora, en el escenario.

[2] No início da manhã de 12 de maio de 2016, o Senado aprovou, com 55 votos favoráveis e apenas 22 contrários, o pedido de abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014, com cerca de 54 milhões de votos. Desde então, mesmo sem a real comprovação de um verdadeiro crime de responsabilidade que legitimasse, oficialmente, a causa para a abertura do processo, facilmente percebido como um golpe de Estado, amplamente apoiado pelos setores jurídico e midiático, o então vice-presidente, Michel Temer, assumiu a presidência nacional, implantando, já nos primeiros dias de seu governo, uma política extremamente conservadora, com sérios ataques aos setores menos favorecidos da sociedade brasileira e aos programas e conquistas sociais, bem como a todo o âmbito efetivamente público, num descarado impulso neoliberal de privatização e terceirização, e com a exclusão de vários ministérios, dentre eles o Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e o Ministério da Cultura. Contra a extinção do MinC, fundado em 1985, artistas organizaram variadas intervenções e manifestações, culminando na ocupação das chamadas Fundações Nacionais das Artes (Funarte), em quase todos os Estados do país. Mesmo com a decisão, anunciada no dia 21 de maio, de recriar o Ministério da Cultura, as ocupações permanecem em vigência (a entrevista foi editada em 01/06/2016). O motivo pelo qual as ocupações permanecem é a premissa de que não se negocia com um ilegítimo governo golpista.

[3] De fato, tanto as trouxas quanto as portas constituem objetos fundamentais para o trabalho desenvolvido pelas intérpretes, especialmente no que diz respeito às intervenções “O que você não deixa para trás?”, de 2006, e “Fora de chave/Out of key(s)”, de 2008, respectivamente.

[4] Jacques Lecoq (1921 - 1999) fue un actor, mimo y un maestro de actuación francés. Es un referente del teatro del gesto.

[5] Stefan Kaegi, junto a Helgard Haug e Daniel Wetzel, compõe o conhecido coletivo Rimini Protokoll.

[6] O LUME – Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais foi criado em 1985 pelo ator, diretor e pesquisador Luís Otávio Burnier, juntamente com os atores Carlos Roberto Simioni e Ricardo Puccetti e a musicista Denise Garcia.

[7] Aprovada em dezembro de 2001 e promulgada em janeiro do ano seguinte, a Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo foi uma conquista dos grupos locais, especialmente do Movimento Arte Contra a Barbárie. Com o apoio desta lei, grupos que possuem uma pesquisa continuada, tida como inviável nas atuais condições de mercado, apresentam seus projetos em busca de apoio municipal.

[8] ProAC: Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. O mesmo significado designava a sigla PAC, que acabou ganhando um novo sentido a partir do segundo mandato de Luiz Inácio Lula de Silva, principalmente a partir de 2007, passando a representar o Programa de Aceleração do Crescimento.

[9] A referência feita pela entrevistada diz respeito ao livro a seguir: SAFATLE, Vladimir; TELES, Edson (orgs.). O que resta da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo: Boitempo, 2010.

[10] A chamada Batalha da Maria Antonia ocorreu nos dias 02 e 03 de outubro de 1968, acarretando a morte de um estudante secundarista chamado José Carlos Guimarães, de 20 anos de idade, e a completa destruição do antigo prédio da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Tudo começou quando os estudantes da Universidade de São Paulo tentaram arrecadar fundos, a fim de tornar viável sua participação no congresso organizado pela UNE, a União Nacional dos Estudantes, cuja sede havia sido invadida e destruída por um incêndio, logo no início do período ditatorial: o golpe se deu na madrugada do dia 31 de março de 1964; na noite do dia seguinte, 01 de abril, houve o incêndio. Contra os estudantes da USP, os alunos da Mackenzie começaram a tacar ovos – depois, bombas, até que, finalmente, começaram os tiros. Em cima do telhado da Mackenzie, encontrava-se o CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Em um documentário organizado por Renato Tapajós, depoimentos revelam que é falso afirmar que tudo se resumiu a um embate entre os estudantes das duas universidades. Havia um grupo de paramilitares na Mackenzie: o propósito era, definitivamente, destruir e ocupar o prédio de Filosofia da Universidade de São Paulo, um dos grandes centros de pensamento e resistência da época. O objetivo era produzir uma crise. Não por menos, pouco tempo depois, foi anunciado o famoso AI-5, conhecido pelo seu altíssimo teor de repressão, produtor de uma forte violência, com suas prisões, torturas e mortes, aos setores mais combativos e resistentes. A camiseta ensanguentada de José Guimarães foi levada como sinal de resistência, numa manifestação que saiu da Rua Maria Antonia e se dirigiu ao centro da cidade. Assim que os estudantes saíram do prédio, a então Faculdade de Filosofia foi ocupada e completamente destruída.

Um bonito texto foi escrito por Irene Cardoso e pode ser encontrado na Revista Tempo Social, do Departamento de Sociologia da USP, em um volume de outubro de 1996. O trabalho, aqui mencionado, se chama “Maria Antonia – uma interrogação sobre um lugar a partir da dor”.

[11] Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

[12] “Livro branco sobre os acontecimentos da rua Maria Antonia (2 e 3 de outubro de 1968), documento oficial da Congregação da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras, elaborado por uma comissão especialmente designada, cujo relator foi o professor Antonio Candido”. Vale consultar: CARDOSO, Irene de Arruda Ribeiro. “Os acontecimentos de 1968: notas para uma interpretação”. In: Para uma crítica do presente. São Paulo: Editora 34, 2001, p. 143.

[13] Vale ressaltar que um dos dispositivos fundamentais do espetáculo é a presença de jogos que estimulam a memória de cada um dos participantes e instauram um espaço propício para um diálogo e debate.

[14] As manifestações que tomaram o país em junho de 2013 foram divididas em três grandes blocos, analisados pelo professor e sociólogo André Singer, em sua seminal análise, presente no texto “Brasil, junho de 2013: classes e ideologias cruzadas”, publicado no número 97 da Revista Novos Estudos, em novembro de 2013. Para o autor, “por muito tempo ficaremos a nos perguntar tanto sobre a gênese quanto sobre o significado desses acontecimentos de junho”: “o fato é que, a partir do momento em que importantes setores de classe média foram para a rua, o que havia sido um movimento da nova esquerda passou a ser um arco-íris, em que ficaram juntos desde a extrema-esquerda até a extrema-direita”.

[15] Geraldo Alckmin é o atual governador do Estado de São Paulo e integrante do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) – partido que se encontra no governo do Estado desde 1991.

[16] Novamente, a referência feita diz respeito ao áudio, já mencionado, de uma conversa entre Romero Jucá e Sérgio Machado: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/05/1774018-em-dialogos-gravados-juca-fala-em-pacto-para-deter-avanco-da-lava-jato.shtml

[17] Com o avanço do neoliberalismo e de uma lógica de produção cada vez mais dominante, o ensino público – efetivamente gratuito e de qualidade – encontra-se cada vez mais ameaçado. Há tempos, jornais como Folha de São Paulo propõe a cobrança de mensalidades em universidades públicas. O atual ministro da Educação, Mendonça Filho, do DEM (partido que compôs a conservadora Aliança Renovadora Nacional (ARENA) durante a ditadura militar), já sinalizou várias propostas de privatização da educação, a começar com a cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação. O debate acerca do ensino e da pesquisa encontra-se sempre deixado em segundo plano, uma vez que o primeiro posto encontra-se sempre ocupado pelos interesses do mercado.

[18] Lançada em 25 de novembro de 2009, com a denominação de escola oficializada por um decreto de 09 de agosto de 2010, a SP Escola de Teatro é um espaço de formação de novos artistas, oferecendo oito cursos regulares (cada um com vinte e cinco vagas), além de vários cursos de extensão, abertos ao longo dos semestres. Fazem parte dos cursos regulares: atuação, direção, cenografia e figurino, dramaturgia, humor, iluminação, sonoplastia e técnicas de palco.

[19] Um dos nove Viewpoints com os quais trabalham Anne Bogart e Tina Landau é chamado de resposta cinestésica, aspecto extremamente enfatizado no trabalho desenvolvido pelo Grupo OPOVOEMPÉ.

[20] É conhecido o fato de que as periferias das grandes cidades brasileiras vivem em uma constante e silenciosa guerra contra o aparato estatal, principalmente a polícia militar. Um dos episódios mais marcantes de 2015 foi uma chacina que matou cerca de dezoito pessoas, na periferia de Osasco e Barueri, na Grande São Paulo. Uma análise do episódio foi feita por Elaine Brum, em um texto que foi amplamente divulgado, e se encontra disponível no link a seguir: http://brasil.elpais.com/brasil/2015/08/17/opinion/1439819813_934995.html.

[21] “Ocupar e resistir” parece apresentar-se como um dos maiores lemas da atividade política atual. A despeito das ocupações efetuadas por órgãos como o MTST e pelos estudantes e funcionários de universidades públicas, por exemplo, o refrão parece ter ganhado um impulso ainda maior no segundo semestre de 2015, com a ocupação de várias escolas do Estado de São Paulo, após o anúncio de fechamento de salas e instituições, pelo Governo do Estado. Atualmente, este também é o lema das ocupações da Funarte, em defesa do Ministério da Cultura e contra o ilegítimo governo de Michel Temer.

[22] No dia 17 de abril de 2016, o Congresso Nacional votou a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A votação, que se tornou motivo de vergonha, em nível nacional e internacional, contou com homenagens a torturadores, declarações a políticos declaradamente corruptos (em votos que se diziam contrários à corrupção) e um alto teor religioso. Pouco se debateu acerca dos supostos crimes (inexistentes) cometidos pela presidenta. Ao invés disso, a maioria dos votos foi dedicada a Deus e à família de cada um dos deputados, além de se mostrar contrária ao que ali se encontrava chamado por comunismo.

[23] Amarildo sumiu em julho de 2013, após ser levado por policiais militares para ser interrogado na sede de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no Rio de Janeiro. De acordo com alguns depoimentos, Amarildo, que era pedreiro, foi submetido a sessões de tortura e, após seis meses de busca por seu corpo, a Justiça decretou sua morte presumida.



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